segunda-feira, 25 de março de 2013

11ª SEMANA: DE 12 A 18/03: SAIA DE MOÇA

 
SAIA DE MOÇA (HIBISCO)
Rondel
 
Vento esperto a saia de moça levanta
Hibisco que dança no meu jardim
Bailarina por ti o sol se adianta
Mas tu não tens pena de mim
 
Faço-te serestas que as outras encanta
E poesias perfumadas de jasmim
Vento esperto a saia de moça levanta
Hibisco que dança no meu jardim
 
Tu te entregas a carícias tantas
Expondo o esplendor rubim
Ensaiando gestos sem fim
Não me dizes sim e me espantas
Vento esperto a saia de moça levanta!


segunda-feira, 11 de março de 2013

10ª SEMANA: DE 5 A 11/03: AS ROSAS AMO DOS JARDINS DE ADÓNIS

 
AS ROSAS AMO DOS JARDINS DE ADÓNIS
Ricardo Reis (Fernando Pessoa)
 
As Rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.

A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.

Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos.


9ª SEMANA: DE 26/02 A 4/03: MISTÉRIO

 
Mistério
Florbela espanca

Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
 Dizendo coisas que ninguém entende!
 Da tua cantilena se desprende
 Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados
 Uma alada canção palpita e ascende,
 Frases que a nossa boca não aprende,
 Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
 Fazes passar o lúgubre arrepio
 Das sensações estranhas, dolorosas…

Talvez um dia entenda o teu mistério…
 Quando, inerte, na paz do cemitério,
 O meu corpo matar a fome às rosas!


8ª SEMANA: DE 18 A 25/02: CANÇÃO MÍNIMA

 
CANÇÃO MÍNIMA
Cecília Meireles
 
No Mistério do Sem-Fim
 equilibra-se um planeta.
 
E, no planeta um jardim,
 e, no jardim, um canteiro;
 no canteiro uma violeta,
 e, sobre ela, o dia inteiro.
entre o planeta e o Sem-Fim,
 a asa de uma borboleta.


7ª SEMANA: DE 12 A 18/02: JUVENÍLIA VII

JUVENÍLIA VII
Fagundes Varela
 
Ah! quando face a face te contemplo,
E me queimo na luz de teu olhar,
E no mar de tua alma afogo a minha,
E escuto-te falar;
 
Quando bebo no teu hálito mais puro
Que o bafejo inefável das esferas,
E miro os róseos lábios que aviventam
Imortais primaveras,
 
Tenho medo de ti!... Sim, tenho medo
Porque pressinto as garras da loucura,
E me arrefeço aos gelos do ateísmo,
Soberba criatura!
 
Oh! eu te adoro como a noite
Por alto mar, sem luz, sem claridade,
Entre as refegas do tufão bravio
Vingando a imensidade!
 
Como adoro as florestas primitivas,
Que aos céus levantam perenais folhagens,
Onde se embalam nos coqueiros presas
 
Como adoro os desertos e as tormentas,
O mistério do abismo e a paz dos ermos,
E a poeira de mundos que prateia
A abóbada sem termos! ...
 
Como tudo o que é vasto, eterno e belo;
Tudo o que traz de Deus o nome escrito!
Como a vida sem fim que além me espera
No seio do infinito.