quarta-feira, 21 de março de 2012

13ª SEMANA DE 25/03 À 01/04 - SÍNTESE DA FELICIDADE

SÍNTESE DA FELICIDADE
Carlos Drummond de Andrade

Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva

Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme de Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga

Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico

Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia

Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança

Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal

Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada

Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo

Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona

Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

quarta-feira, 14 de março de 2012

12ª SEMANA DE 18/03 A 25/03 - AUTOPSICOGRAFIA

AUTOPSICOGRAFIA
Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

 E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

domingo, 11 de março de 2012

11ª SEMANA de 11/03 A 18/03 - AMOR, ENTÃO, TAMBÉM, ACABA?

AMOR, ENTÃO, TAMBÉM, ACABA?
Paulo Lemiski

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

domingo, 4 de março de 2012

10ª SEMANA de 04/03 à 11/03- SONETO DE CONTRIÇÃO

SONETO DE CONTRIÇÃO
Vinícius de Moraes

Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.

Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.

Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma...

E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.